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Percepções sobre o momento atual e isolamento social



Lidar com coisas que não podemos controlar pode não ser uma tarefa muito fácil. Sempre entendi que a ansiedade está totalmente ligada a tentativa das pessoas de controlar a realidade, ou melhor, a tentativa falha de controlar o incontrolável real. Perceber que não temos o controle sobre o tempo, sobre as pessoas e seus pensamentos e principalmente sobre os nossos sentimentos é até um pouco assustador.

Frente a isso, vivemos um momento pra lá de complicado. Não tem como negar a existência de uma pandemia e da nossa vulnerabilidade frente a essa ameaça. Sim, somos feitos de carne, ossos, sangue e órgãos. Pior! somos frágeis quando nos esbarramos com seres microscópios.

É inegável que os mais jovens, mais saudáveis, aguentam um pouco melhor o peso desses "micróbios". As vezes percebemos que pegamos só uma "gripezinha", o que não nos impede de continuar nossas atividades.

Mas ando meio pensativo esses dias, mais sensível frente a situação que o mundo se encontra. Não é medo de adoecer, não é preocupação com a economia ou angustia de ficar em casa. Acho que meu sentimento está mais pro lado de compaixão, impotência e empatia. É uma experiência um pouco estranha, vinda da minha percepção de que seres formados por tecidos, ossos e líquidos são também pessoas.

Pessoas que sentem, e sentem o tempo todo. Sentem necessidade de viver os laços que têm, se divertir, trabalhar, de crescer não só profissionalmente, mas também como pessoa. Sentem medo de adoecer, transmitir doenças a entes queridos, medo da incerteza do futuro. Sem falar na angustia e ansiedade ao pensar se vai dar pra pagar as contas, o aluguel, o plano de saúde. Como está sendo difícil se encontrar com a realidade ultimamente!

Porém, também venho sendo tomado por um polêmico sentimento de calma e tranquilidade. Venho vendo pessoas se preocuparem mais com pessoas, até com elas mesmas. Estamos percebendo que cuidando da gente, também cuidamos dos outros, e que é importante que os outros se cuidem também. Não quero, de modo algum minimizar o sofrimento, Mas vejo que fomos desafiados a não só sentir um turbilhão de coisas, mas também a nos preocupar mais com os outros, nos reinventar e colocar ideias em prática.

Infelizmente não podemos mudar o real, mas podemos enfrenta-lo! E pelo visto, sozinho não adianta. Tem que ser todo o mundo junto. E diante disso é possível até acreditar que a ideia de isolamento social nada mais é que uma maneira de se aproximar e cuidar de si e dos outros. É como estamos demonstrando que nos importamos e consideramos quem está ao nosso redor.

Enfim, sinto cada vez mais que podemos ser muito mais. Aceitando nossas fragilidades e impotências torna-se possível crescer, cada vez mais fortes. Estranho né?


Eduardo Andrade Arruda

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Abaeté, MG